Meu pai trabalhava no jornal local a uns anos atrás, esses dias eu perguntei para ele qual tinha sido a matéria mais marcante que ele escreveu, daí ele pegou na gaveta e me mostrou essa matéria:
Na manhã da última quinta-feira dia 27 de dezembro de 1987, uma jovem não identificada foi encontrada morta nas redondezas do lago da Floresta Tainã, por um grupo de crianças que brincavam no local. Além da triste notícia pelo óbito de uma jovem e o trauma passado pelas crianças, o cenário que cerca esse fato torna tudo mais sinistro. O corpo foi encontrado cercado do que parecem “totens” religiosos feitos de gravetos, de origem e cultura desconhecida, e com um símbolo de um espiral desenhado à tinta nas costas da vítima. A causa da morte ainda não foi revelada, porém à suspeitas de afogamento devido alguns sinais físicos, como suas roupas e cabelos úmidos, além da proximidade do corpo ao lago.
O delegado Uilson Tavares prontamente tratou de tranquilizar a população: “Já temos nossos melhores profissionais analisando a cena do crime, e em pouco tempo teremos todas as respostas.” Uilson ainda despistou a possibilidade de um assassino em série ou qualquer ligação com os outros casos de desaparecimento tão comuns na região: “Pela primeira análise do corpo, não avistamos nenhum tipo de lesão corporal, o que provavelmente indica um afogamento acidental, causado pelas brincadeiras irresponsáveis dos jovens dessa cidade.” O oficial ainda atacou e acusou portais de notícia por uma suposta “espetacularização” dos casos de desaparecimento na região de Tainã, que segundo o mesmo, causa “pânico generalizado” e reações desproporcionais com a realidade: “Todos nós sabemos das lendas urbanas e as balelas que criam em volta da nossa cidade, ainda mais com a ajuda e a influência da mídia que distorce e aumenta a escala dos fatos, o que prejudica nosso trabalho, dificultando e as vezes até estragando casos muito sérios! Esse caos que vocês permeiam na nossa população muitas vezes é a razão pela falta de respostas e resoluções de muitos casos! Estou cansado de vocês transformando casos em shows de horror e trazendo pânico generalizado para nossa cidade! Por hoje chega! Deixem nossos homens trabalhar!”. O delegado encerrou a coletiva abruptamente após a enxurrada de perguntas sobre a falta de respostas e resultados das investigações posteriores.
P.S: meu pai nao deixa nimguem mexer nos seus jornais, então tive que reescrever o que eu lembrava. Mas felizmente eu achei uma foto do caso na gaveta destrancada do meu pai, ele deve ter pedido pro fotógrafo uma cópia...