meu irmão tem uma filmadora VHS velha que ele leva pra todo lugar. uns anos atrás ele e alguns amigos foram acampar perto da floresta tainã e levaram a câmera junto. até o final da tarde tava tudo normal, eles montaram as barracas e começaram a preparar uma fogueira, mas em algum momento perceberam que um dos amigos deles, o Alexandre, tinha sumido. começaram a procurar por ele enquanto escurecia e foi aí que ouviram vozes vindo do meio da mata. parecia uma cantiga baixa numa língua estranha. eles começaram a seguir o som achando que talvez encontrassem alguém, mas quanto mais andavam mais esquisita a floresta parecia. na fita dava pra ver coisas penduradas nas árvores, símbolos feitos de galhos, pedaços de madeira e outras coisas que eu nunca consegui entender direito. enquanto corriam parecia que aquelas coisas surgiam na frente deles o tempo inteiro. de repente as vozes pararam e logo depois veio um grito muito alto seguido de passos. meu irmão disse que aquilo foi o pior porque os passos não pareciam de alguém correndo na floresta. não tinha som de folhas ou galhos quebrando, parecia alguma coisa pesada correndo dentro d’água, como se tivesse pisando em poças fundas. eles começaram a correr desesperados e então ouviram a voz do Alexandre chamando por eles no escuro. meu irmão falou que quase foi atrás da voz, mas alguma coisa parecia errada nela. na gravação dava pra ouvir ele chamando várias vezes enquanto os passos ficavam mais próximos. meu irmão voltou pra casa junto dos outros amigos e minha mãe chamou a polícia. enquanto eles estavam na delegacia eu fiquei em casa com a minha vó. na pressa ele deixou a câmera em cima do balcão da cozinha e eu, sendo criança, peguei a fita escondido pra assistir. a gravação ficava cada vez mais distorcida conforme eles entravam na mata. perto do final dava pra ouvir os passos muito altos e uma luz verde aparecia entre as árvores por alguns segundos. depois a câmera caiu no chão e a fita começou a falhar até a imagem virar quase só chiado. Logo depois a fita enrroscou no aparelho. quando tentei tirar ela, parte da fita tava derretida. Eu sei que aquela gravação provavelmente não explicaria o que aconteceu com o Alexandre, mas até hoje não consigo parar de pensar que destruí a última coisa que registrou ele naquela noite. já fazem 8 anos e ele continua desaparecido.